DEPOIMENTOS

Violência conjuga

Já faz muito tempo, foi em 1989, no dia do aniversário do então meu marido. A comemoração foi na casa da mãe dele, onde ele tomou muita cerveja e dirigiu de volta à nossa casa nessas condições. Antes desse dia, eu lhe disse que tinha procurado um advogado para tratar da nossa separação pois eu não queria mais continuar numa relação que para mim não fazia mais sentido, em virtude das ausências constantes dele, tendo que arcar com todas as despesas da casa e a rotina de trabalho fora de casa, dentro de casa, educação dos três filhos, etc. Quando voltamos para casa, eu não quis deitar na cama de casal pois ele estava cheirando a álcool. Fui deitar no sofá. Quando estava já quase dormindo, ele entrou debaixo da minha coberta e quis me abraçar. Eu o empurrei para fora do sofá e disse que não deitava mais com ele. Foi quando ele começou a me bater, colocou o travesseiro no meu rosto, e depois de um tempo me suspendeu e jogou no chão da sala, e começou a dar murros na minha cabeça repetindo a frase "Quem está pondo essas ideias na sua cabeça?", "Eu vou tirar essas ideias da sua cabeça". Eu tentei ficar em pé, mas a tontura me fez cair de novo no chão. Nesse momento, meu filho que na época tinha 4 anos, veio até a sala e perguntou o que estava acontecendo. Foi então que tive a chance de abrir a porta e sair para o hall de entrada, entrando na casa de uma vizinha que estava com a porta aberta pois escutou a briga. Passei a noite na casa dela e no dia seguinte, me dirigi à Delegacia da Mulher que ficava no Parque D.Pedro II. Contei toda a história para uma delegada e ela perguntou se eu realmente queria fazer a denúncia pois se o meu marido fosse preso, eu ficaria em dificuldades, e uma vez feita a denúncia, não era possível desfazê-la. Mesmo fragilizada, eu confirmei que queria continuar com a denúncia. Fui encaminhada para um médico ali na mesma delegacia, que conforme verificava meu couro cabeludo, perguntava se eu ainda continuaria vivendo com a pessoa que me agrediu. Eu lhe contei que fui agredida por não querer mais continuar vivendo com meu marido. Então ele preencheu um formulário e me aconselhou a pedir separação de domicílio para que essa agressão não se repetisse. Feito todo esse procedimento, procurei o advogado que estava cuidando da separação e lhe passei também esse processo. Meu marido recebeu a ordem de separação de corpos e sem muita resistência se mudou para a casa da mãe dele. Minha amiga de trabalho foi chamada como minha testemunha para depor, e ela contou que eu cheguei ao trabalho com várias marcar roxas na cabeça. Outro amigo de meu marido foi chamado como testemunha dele e disse que assistira algumas manifestações de maus tratos por parte dele para comigo e os filhos. Um ano depois, como não recebia nenhuma notícia sobre o processo, fui ao Fórum da Praça Júlio Prestes e descobri que o processo tinha sido arquivado. Pedi que me mostrassem o despacho e o juiz entendeu que “não havia provas suficientes de que os fatos se passaram da maneira como a vítima relatara”. Eu tive a sorte de poder sair dessa relação matrimonial pois trabalhava e tocava a casa e a educação dos filhos sozinha, mesmo estando casada. Hoje, depois de tanto tempo, tenho certeza que foi a melhor escolha. Ainda carrego a frustração de ter sido interpretada por um juiz de maneira equivocada. Mesmo tendo o exame de corpo de delito feito pelo médico que atendia às vítimas de agressão, dois depoimentos de testemunhas que me favoreciam, o processo foi arquivado e nada consta contra meu ex-marido.

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